
Neuroplasticidade pode ser definida como “a capacidade do cérebro de se transformar diante de pressões (estímulos) do ambiente.” (Kandel, Schwartz, Jessell, Siegelbaum, & Hudspeth, 2013)
Vamos imaginar que você comece a aprender a tocar violão. Provavelmente, no início, terá uma grande dificuldade e você até poderá pensar: “Mas parece tão fácil quando vejo as pessoas tocando este instrumento!”
Por que isso acontece?
Nosso cérebro é formado de neurônios, que são interligados. Essas conexões se formam desde a concepção e continuam por toda a vida. Quando um ser está em desenvolvimento, as células nervosas aumentam em número e são interligadas de acordo com o código genético e com as experiências vividas. Cada tarefa que fazemos automaticamente no dia a dia, recruta vários neurônios e circuitos neurais para o recebimento das informações, planejamento e execução. À medida que vamos repetindo essas atividades, as conexões se tornam mais fortes e todo este processo ocorre de forma mais rápida e eficiente.
Mas vamos voltar ao violão. O seu cérebro provavelmente reconhece que você possui seus braços, troncos e pernas, mas a medida que você inicia suas aulas, você tem que experimentar qual a melhor postura, como é o movimento de cada mão e como tocar as cordas para emitir os sons que estão na partitura e no ritmo da música. Um longo caminho neural é percorrido com alto gasto de energia. Após algum período de treinamento, o cérebro recruta na memória qual foi a melhor e mais eficiente estratégia que você utilizou, sem tantos erros e de uma maneira menos cansativa. Os neurônios daquela região responsável por esta atividade tão complexa estão agora mais numerosos e mais conectados, de forma que o estímulo nervoso se realiza bem mais facilmente.
E o que ocorre quando o cérebro sofre uma lesão (seja ela por agentes físicos ou bioquímicos)?
A natureza é tão perfeita que a neuroplasticidade ocorre nas áreas cerebrais que não foram afetadas, ocorrendo um aumento no número de neurônios e em suas conexões, para realizarem alguma tarefa específica. Importante ressaltar que a adaptação depende em grande parte do ambiente. Por isto, os estímulos que são recebidos por este indivíduo são cruciais para este desenvolvimento.
É claro que a recuperação funcional irá depender de vários fatores, como a natureza e a extensão da lesão.

Quando uma criança ou adulto apresenta um transtorno, seja ele na fala, no comportamento, na parte sensorial ou motora, necessita de acompanhamento individualizado e especializado para oferecer os estímulos de forma correta para garantir a excelência no tratamento.
Uma equipe interdisciplinar com bons profissionais e uma família engajada são os melhores recursos que existem para atingirmos a funcionalidade.
