Você sabia que, anualmente, em todo o mundo, cerca de 30 milhões de bebês nascem prematuros, com baixo peso ou adoecem logo nos primeiros dias de vida? É o que revela um relatório lançado em 2018 pela UNICEF em parceria com a OMS.
A boa notícia é que nas últimas duas décadas, devido aos avanços da medicina moderna, existe um aumento significativo dos índices de sobrevivência destes pequenos guerreiros. Antes de iniciar o assunto que quero abordar, são importantes alguns esclarecimentos:
Os bebês são classificados ao nascimento de acordo com o peso e a idade gestacional (número de semanas). Esta identificação é importante, pois quanto menor a idade gestacional, maior é o risco de repercussões da prematuridade.
De acordo com a idade gestacional do recém-nascido eles podem ser divididos entre: (OMS)
- Pré-termo: menos de 37 semanas;
- Prematuro extremo: entre 24 e 30 semanas;
- Prématuro moderado: entre 31 e 36 semanas;
- Limitrofe: entre 37 e 38 semanas;
- A termo: entre 37 e 41 semanas;
- Pós-termo: 42 semanas ou mais.
Os bebês que nascem prematuramente são definidos como de alto risco, ou seja, possuem maior probabilidade em desenvolver complicações em sistemas biológicos e no desenvolvimento neuropsicomotor.
Vamos tentar entender melhor porque isso acontece?

Quanto ao organismo, é possível entender que os sistemas ainda estão imaturos e podem sofrer lesões. Dentre esses sistemas, vale ressaltar que o Sistema Nervoso Central pode ser um deles.
Quanto à questão sensóriomotora , sabemos que a partir da 28ª semana de gestação é que ocorre uma maior aceleração na mielinização das vias neurais responsáveis pelo movimento espontâneo e coordenado do corpo. Além disso, é nas últimas semanas de gestação que o feto se movimenta contra as paredes elásticas do útero da mãe, que oferecem certa resistência, contribuindo para o desenvolvimento da força muscular global.
Quando um bebê nasce na data prevista, ele passou as últimas semanas em um ambiente contido pelo pouco espaço para se movimentar, e por isso desenvolve o que chamamos de tônus flexor. Nos prematuros, essa fase não ocorre, contribuindo para a posição de extensão com os braços e pernas relaxados, comumente observada. Como a musculatura está fraca, fica difícil para se movimentarem contra a gravidade.
Agora vamos pensar nos aspectos ambientais… O bebê que nasce a termo possui seu organismo integro, e recebe cuidados em um ambiente familiar e aconchegante, assim que chega em casa. Pode ser nutrido com todo afeto e dormir livremente, de acordo com sua necessidade.
O bebê prematuro em geral passa por longa hospitalização, com uma rotina recheada de ruídos, alarmes e luzes estressantes, estímulos dolorosos e restrição de sono para condutas médicas ou de outros profissionais. É claro que estes procedimentos são importantes, na verdade essenciais, pois no momento da hospitalização a prioridade é a VIDA.
Uma vez estabilizados, recebem alta hospitalar, é importante a procura de profissionais especializados que possam contribuir para o desenvolvimento destes bebês!
No caso da fisioterapia, os profissionais conseguem identificar se há algum atraso ou desvio no desenvolvimento motor e quais elementos devem ser trabalhados. Através de orientações, envolvimento da família, posicionamentos, manuseios e posturas, conseguimos oferecer aos bebês novas vivências corporais. Utilizando nossas mãos e nosso corpo, oferecemos uma maneira carinhosa deles se organizarem e amadurecerem tantas informações, importantes para o desenvolvimento motor adequado.
