
Muito se tem falado sobre o quanto a tecnologia e a medicina moderna têm auxiliado na maior sobrevivência de bebês que passaram por alguma complicação durante a gestação ou parto. Realmente, há motivos de sobra para agradecer.
Por outro lado, cresce na mesma proporção a responsabilidade e a necessidade de atenção. Isto porque, algum tempo após a alta hospitalar, os familiares comumente começam a perceber algumas características peculiares. Estes sinais singelos e delicados podem aparecer em um pescoço que fica inclinado, talvez em uma dificuldade para sentar ou observa-se uma diferença na movimentação entre os dois lados do corpo. Mas junto com essa detecção, vem também um pensamento bem comum… “vou esperar o tempo passar e ver se tudo se resolve.” Todos sabem por aí que não se deve fazer comparações entre os bebês, cada indivíduo tem seu próprio tempo… Certo? Nem sempre.
Muitas vezes, essa pulguinha atrás da orelha que tanto incomoda mãe, pai ou avós, está ali por um motivo consistente e pode fazer muita diferença no futuro. O responsável deve ser escutado, e se, após a avaliação, for percebido algum motivo, este bebê deve ser acompanhado o mais rápido possível, antes mesmo de se ter um diagnóstico médico concluído.
Isto porque, os primeiros anos de vida (ou primeiros 1.000 dias de ouro) são recheados de muito desenvolvimento neuronal e acontecimento de sinapses. Além da genética, os estímulos do ambiente irão auxiliar a formar no cérebro do bebê seus primeiros conceitos, incluindo o conhecimento do próprio corpo e suas possibilidades.
Quando aquela pulguinha for levada em consideração e o acompanhamento da fisioterapia ocorrer, o bebê vai receber vivências adequadas e seguirá em sua evolução, um processo de desenvolvimento buscando a funcionalidade. Mas se ela for ignorada, este cérebro irá entender que aquele sinal não é um problema, e então o corpo vai se adaptar para compensá-lo, criando novas formas inadequadas de se movimentar. Torna-se um ciclo vicioso.
E o que faz um movimento ou postura ser adequado? Consideramos que isso ocorre quando os segmentos do corpo estão em uma posição ótima para possibilitar a contração muscular, a estabilização das articulações e um menor gasto de energia.
Uma postura desalinhada pode levar a futuros quadros de alterações ortopédicas (luxações, dor, contraturas, etc.), respiratórias, digestivas, atraso no aprendizado motor e cognitivo. Enfim, o trabalho e o custo para reverter essa situação se tornam bem maiores.
Então, se tiver dúvidas, procure um fisioterapeuta com boa capacitação e experiência em neuropediatria para uma avaliação. Existe também uma grande chance de saber que está tudo bem, e apenas orientação pode ser suficiente. Nesse caso, você pode dar um “chega pra lá” na pulga com toda a confiança! Se não for esta a situação, sinta-se orgulhoso por ter percebido um sinal tão precocemente, que pode transformar a vida de seu filho.
