Ah, me lembro como se fosse ontem, quando recebi o primeiro telefonema dos pais do nosso querido amigo, que vou carinhosamente chamar de “Woody”.

Era agosto de 2016, eu estava gradualmente retornando ao trabalho, após o nascimento da minha filha. Agendamos então a avaliação, que foi feita em um apartamento pequeno, provisório, enquanto a casa terminava de ser construída. O apartamento ficava no terceiro andar, e eu subia (feliz!) todos os lances de escada levando bola, rolo e brinquedos…

Não sabia onde iríamos fazer a fisioterapia, pois não havia muito espaço no chão para colocarmos um tapete… e havia a presença de uma participante queridíssima da família, a Brisa, uma cadelinha pretinha, pequena e bem brava.

Nos primeiros meses resolvemos então fazer na cama dos pais, por segurança e conforto.

Com o passar de alguns meses, foi aumentando a necessidade de espaço para rolar, arrastar, pivotear, enfim… explorar o espaço. Foi aí que decidimos enfrentar a fera, resolvi investir em “fazer amizade”, colocamos um tapete na sala e minha atenção ficava ligada o tempo todo. Era véspera de natal, e lembro bem de fazer manuseios com o pequeno na bola, enquanto d. Lourdinha (avó materna) cuidava da casa.

Aliás, d. Lourdinha teve um papel importantíssimo na nossa história. Cuidava da casa, me ajudava nas brincadeiras com o bebê e ainda confeccionava brinquedos com fitas coloridas, com uma criatividade impressionante. Isso sem mencionar quantas vezes me mimou com quitutes e guloseimas.

Quando a mãe retornou ao trabalho após a licença maternidade, disse que gostaria muito de acompanhar detalhadamente o que estava acontecendo, nas sessões de fisioterapia e no desenvolvimento de seu filho. Para diminuir um pouquinho o grau de ansiedade, eu gravava vídeos (há 5 anos atrás!) para mostrar o que estava sendo realizado e diariamente, após cada atendimento, fazia um relato para a mãe a respeito dos progressos e incluindo orientações.

O tempo foi passando, nosso pequeno “Woody” foi crescendo e se desenvolvendo, e veio a mudança para a casa nova. A felicidade estava estampada na família, com um marcador de dias alegres que estavam por vir…

E vieram! O pequetito aprendeu a sentar, engatinhar, ficar em pé e, próximo ao seu aniversário de 2 anos, iniciou a marcha sem apoio. Sem pressa, sem correria, respeitando a autoconfiança do pequeno desbravador. O meu papel ali era meramente trabalhar para que ele tivesse as ferramentas (chamamos de componentes), mas o “clique” de tentar dar seus primeiros passos era dele.

E então vieram novos desafios, como o início da vida escolar, novas terapias foram introduzidas, novos trabalhos para mim, e para os pais…

Ao observar através de reavaliações que “Woody” estava com marcha independente, boas reações de equilíbrio e proteção, funcionalidade adequada para a idade, conversei com os pais e propus iniciarmos um processo de alta da fisioterapia. Imaginei que iriam ficar aliviados, pelo bom resultado e pela agenda cheia de compromissos. Mas ao invés disso, a resposta que recebi é que não estavam preparados para este momento e gostariam muito que eu continuasse participando do desenvolvimento de seu filho. Confesso que fiquei ao mesmo tempo confusa e lisonjeada, por perceber tamanha confiança em meu trabalho.

Enfim, novos desafios foram chegando, novos profissionais acompanhando e novas conquistas aparecendo…

Agora, enfim, chegamos em um acordo que Rafael possui outras necessidades… o foco mudou… e que bom que é assim! Mantendo a conversa com escola, família e equipe vamos preparando o terreno para que nosso pequeno herói trace sua própria história.

Mas se precisar de alguma coisa, a tia Marília vai estar sempre aqui, viu? Especialmente se a gente cantar e você tocar seu violão, como fizemos tantas vezes em nossos atendimentos…

 

 

 

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